Dicas para largar o cigarro

Laura Cánepa


Um dito popular diz que "parar de fumar é fácil - tem gente que pára todos os dias, e depois volta a fumar, e depois pára, e depois volta...".


Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), de cada mil pessoas que tentam parar de fumar pela primeira vez, 17,2% conseguem largar o vício, mas 82,8% falham. Muitos continuam tentando até conseguirem, outros desistem. Calcula-se que, de todos os fumantes, 60% já tentaram parar de fumar pelo menos uma vez, principalmente aqueles com maior acesso à informação.


Vários são os fatores que influenciam para o fracasso do fumante, como o estresse, as propagandas, a facilidade de conseguir a droga e associações psicológicas com prazeres como boas refeições, bebidas ou músicas, por exemplo. "A forma de largar o cigarro depende muito da personalidade da pessoa e do seu nível de dependência", explica a pneumologista Maria Eunice Souza. "Para todos, porém, é recomendável o acompanhamento médico durante o processo, pois os sintomas da abstinência, como a insônia, a irritabilidade e as dores de cabeça podem ser muito intensos".


Mas algumas dicas valem para todos:
• Algumas pessoas preferem parar abruptamente, enquanto outras preferem largar aos poucos. Descubra qual é o seu perfil, mas fique atento para a disciplina em sua decisão.
• Não fique procurando desculpas para não parar, do tipo "estou estressado agora", "vou parar depois de terminar este trabalho", etc. Mas, também, procure escolher uma boa hora para parar de fumar, e programe-a com antecedência, para ir se preparando.
• Se não conseguir sozinho, consulte um médico e informe-se sobre tratamentos alternativos, como adesivos de nicotina, anti-depressivos e filtros. Mas atenção: tais tratamentos só podem ser prescritos por médicos.
Vencida a primeira fase, que é a de largar o cigarro, vem a mais difícil: manter a decisão. Veja o que fazer quando sentir aquela vontade irresistível de fumar:
• Tente tomar um ar e respirar profundamente. Passados alguns minutos, o desejo de fumar diminuirá.
• Dentro do possível, afaste-se dos fumantes e de hábitos que o faziam fumar, como o cafezinho ou a cerveja.
• Faça algo que estava adiando, como responder e um e-mail, dar um telefonema ou pagar uma conta.
• Beba muita água.
• Se nada disso adiantar, e você acabar fumando, não desista. Terminado o cigarro, comece tudo de novo - e, agora, pra valer!



Quer melhorar sua saúde? Pare de fumar

As doenças decorrentes do tabagismo são a principal causa evitável de morte do planeta. Segundo dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde, o cigarro causa mais mortes prematuras do que a soma das mortes causadas por Aids, cocaína, heroína, álcool, incêndios, acidentes de automóveis e suicídios.


O alcatrão, um dos principais componentes do cigarro, é um dos mais potentes cancerígenos que o ser humano introduz voluntariamente no organismo. Além dele, um cigarro comum contém, aproximadamente, 4700 substâncias tóxicas, incluindo a nicotina, a amônia, o monóxido de carbono e diversos agrotóxicos.


Por causa dessas substâncias, o fumo é responsável por 30% das mortes por câncer; 90% das mortes por câncer no pulmão; 97% do câncer da laringe; 25% das mortes por doença do coração; 85% das mortes por bronquite e enfisema; 25% das mortes por derrame e por 50% dos casos de câncer de pele.


Mas, se o cigarro faz tanto mal, e se seus efeitos são conhecidos pela maioria dos fumantes, por que é tão difícil abandoná-lo? "Em primeiro lugar, porque a nicotina é uma das drogas mais poderosas que existem, chegando a viciar mais de 90% de seus usuários", explica o médico Luiz Álvaro Simões de Souza, especialista em Saúde Pública. Para se ter uma idéia do que isto significa, a cocaína, que é uma droga poderosíssima, vicia cerca de 30% dos seus usuários. "Além disso, o cigarro é uma droga barata e de fácil acesso, e tem uma propaganda massiva e extremamente eficaz, do ponto de vista psicológico", completa ele.


Mas a boa notícia é que, mesmo sendo muito difícil largar o cigarro, força de vontade e tratamentos alternativos podem auxiliar o fumante nesta tarefa. Se você fuma, e deseja melhorar sua saúde, saiba que largar o cigarro é a principal atitude a ser tomada para prolongar sua vida.



Bons motivos para abandonar o cigarro
Laura Cánepa


O principal motivo para largar o cigarro é que, mesmo tendo fumado muito durante mais de 30 anos, todo o fumante se beneficia ao largar o cigarro.
Para ganhar motivação em sua luta contra o vício, o fumante pode pensar nas seguintes informações:
• Vinte minutos depois de parar de fumar, a pressão sangüínea e a pulsação voltam ao normal.
• Após duas horas, não haverá mais nicotina no sangue.
• Após 8 horas, o nível de oxigenação no sangue aumenta para o normal.
• Após um dia, diminuem os riscos de um ataque cardíaco.
• Após dois dias, o sistema nervoso estará funcionando melhor.
• Após três dias, os brônquios estarão relaxados, tornando a respiração mais fácil.
• Após 3 meses, a circulação do sangue aumentará.
• Em um ano, haverá a redução da tosse, da congestão nasal, do cansaço e da falta de ar.
• Após 5 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou.
Mas, se conhecer os benefícios de largar o cigarro não é motivação suficiente, veja alguns dos prejuízos do cigarro para a saúde:
• O cigarro causa impotência sexual.
• Um maço de cigarros por dia por mais de 10 anos rouba, em média, 5 anos de vida do fumante.
• Fumantes têm uma probabilidade 24 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão.
• Uma pessoa que fuma tem o dobro de chance de vir a ter doenças cardiovasculares do que uma pessoa que não fuma.
• Grávidas que fumam apresentam risco muito maior de partos prematuros, e também de terem bebês com pouco peso ou com graves problemas pulmonares.
• O cigarro causa mau hálito e amarelamento dos dentes.
• O cigarro apressa o envelhecimento da pele.
• Cada vez mais, o fumo tem sido associado à baixa produtividade, o que prejudica os fumantes no mercado de trabalho.
• Por ser um hábito cada vez mais rejeitado, o fumante pode enfrentar situações estressantes em locais como aviões, ônibus, cinemas e bares.



Vida Saudável
Problemas enfrentados pelos fumantes passivos
Laura Cánepa

O chamado "fumante passivo" é aquele indivíduo que não fuma, mas acaba respirando a fumaça dos cigarros fumados ao seu redor. Até hoje, discute-se muito os efeitos do fumo passivo, mas uma coisa é certa: quem não fuma não é obrigado a respirar a fumaça dos outros.


A fumaça respirada pelo fumante passivo é uma combinação de mais de 400 substâncias químicas, na forma de partículas e gases como o cianeto de hidrogênio, o dióxido de enxofre, o monóxido de carbono, a amônia e a nicotina. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, essa fumaça pode ser classificada como carcinógeno humano de "classe A", isto é, um tipo de substância para a qual não há nível inócuo de exposição.


O fumo passivo é um problema de saúde pública em todos os países do mundo. Na Europa, estima-se que 79% das pessoas estão expostas à fumaça "de segunda mão", enquanto, nos Estados Unidos, 88% dos não-fumantes acabam fumando passivamente. A Sociedade do Câncer da Nova Zelândia informa que o fumo passivo é a terceira entre as principais causas de morte no país, depois do fumo ativo e do uso de álcool.
Além de estarem expostos a substâncias perigosas, os fumantes passivos podem apresentar alergias, ataques de asma e bronquite, irritação nos olhos e nas vidas respiratórias. Por isso, é fundamental que se cumpra a lei que proíbe o fumo em locais públicos, e que exige a demarcação de áreas de fumantes em lugares de grande circulação de pessoas.        

 

 

© João Roberto Nicchio  -  Webmaster  - Abril/2002

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