Um dito popular diz que "parar de fumar é fácil - tem gente que pára
todos os dias, e depois volta a fumar, e depois pára, e depois
volta...".
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), de cada mil pessoas que
tentam parar de fumar pela primeira vez, 17,2% conseguem largar o vício,
mas 82,8% falham. Muitos continuam tentando até conseguirem, outros
desistem. Calcula-se que, de todos os fumantes, 60% já tentaram parar de
fumar pelo menos uma vez, principalmente aqueles com maior acesso à
informação.
Vários são os fatores que influenciam para o fracasso do fumante, como o
estresse, as propagandas, a facilidade de conseguir a droga e
associações psicológicas com prazeres como boas refeições, bebidas ou
músicas, por exemplo. "A forma de largar o cigarro depende muito da
personalidade da pessoa e do seu nível de dependência", explica a
pneumologista Maria Eunice Souza. "Para todos, porém, é recomendável o
acompanhamento médico durante o processo, pois os sintomas da
abstinência, como a insônia, a irritabilidade e as dores de cabeça podem
ser muito intensos".
Mas algumas dicas valem para todos:
• Algumas pessoas preferem parar abruptamente, enquanto outras preferem
largar aos poucos. Descubra qual é o seu perfil, mas fique atento para a
disciplina em sua decisão.
• Não fique procurando desculpas para não parar, do tipo "estou
estressado agora", "vou parar depois de terminar este trabalho", etc.
Mas, também, procure escolher uma boa hora para parar de fumar, e
programe-a com antecedência, para ir se preparando.
• Se não conseguir sozinho, consulte um médico e informe-se sobre
tratamentos alternativos, como adesivos de nicotina, anti-depressivos e
filtros. Mas atenção: tais tratamentos só podem ser prescritos por
médicos.
Vencida a primeira fase, que é a de largar o cigarro, vem a mais
difícil: manter a decisão. Veja o que fazer quando sentir aquela vontade
irresistível de fumar:
• Tente tomar um ar e respirar profundamente. Passados alguns minutos, o
desejo de fumar diminuirá.
• Dentro do possível, afaste-se dos fumantes e de hábitos que o faziam
fumar, como o cafezinho ou a cerveja.
• Faça algo que estava adiando, como responder e um e-mail, dar um
telefonema ou pagar uma conta.
• Beba muita água.
• Se nada disso adiantar, e você acabar fumando, não desista. Terminado
o cigarro, comece tudo de novo - e, agora, pra valer!
Quer melhorar sua
saúde? Pare de fumar
As doenças decorrentes do tabagismo são a principal causa evitável de
morte do planeta. Segundo dados fornecidos pela Organização Mundial de
Saúde, o cigarro causa mais mortes prematuras do que a soma das mortes
causadas por Aids, cocaína, heroína, álcool, incêndios, acidentes de
automóveis e suicídios.
O alcatrão, um dos principais componentes do cigarro, é um dos mais
potentes cancerígenos que o ser humano introduz voluntariamente no
organismo. Além dele, um cigarro comum contém, aproximadamente, 4700
substâncias tóxicas, incluindo a nicotina, a amônia, o monóxido de
carbono e diversos agrotóxicos.
Por causa dessas substâncias, o fumo é responsável por 30% das mortes
por câncer; 90% das mortes por câncer no pulmão; 97% do câncer da
laringe; 25% das mortes por doença do coração; 85% das mortes por
bronquite e enfisema; 25% das mortes por derrame e por 50% dos casos de
câncer de pele.
Mas, se o cigarro faz tanto mal, e se seus efeitos são conhecidos pela
maioria dos fumantes, por que é tão difícil abandoná-lo? "Em primeiro
lugar, porque a nicotina é uma das drogas mais poderosas que existem,
chegando a viciar mais de 90% de seus usuários", explica o médico Luiz
Álvaro Simões de Souza, especialista em Saúde Pública. Para se ter uma
idéia do que isto significa, a cocaína, que é uma droga poderosíssima,
vicia cerca de 30% dos seus usuários. "Além disso, o cigarro é uma droga
barata e de fácil acesso, e tem uma propaganda massiva e extremamente
eficaz, do ponto de vista psicológico", completa ele.
Mas a boa notícia é que, mesmo sendo muito difícil largar o cigarro,
força de vontade e tratamentos alternativos podem auxiliar o fumante
nesta tarefa. Se você fuma, e deseja melhorar sua saúde, saiba que
largar o cigarro é a principal atitude a ser tomada para prolongar sua
vida.
Bons motivos para
abandonar o cigarro
Laura Cánepa
O principal motivo para largar o cigarro é que, mesmo tendo fumado muito
durante mais de 30 anos, todo o fumante se beneficia ao largar o
cigarro.
Para ganhar motivação em sua luta contra o vício, o fumante pode pensar
nas seguintes informações:
• Vinte minutos depois de parar de fumar, a pressão sangüínea e a
pulsação voltam ao normal.
• Após duas horas, não haverá mais nicotina no sangue.
• Após 8 horas, o nível de oxigenação no sangue aumenta para o normal.
• Após um dia, diminuem os riscos de um ataque cardíaco.
• Após dois dias, o sistema nervoso estará funcionando melhor.
• Após três dias, os brônquios estarão relaxados, tornando a respiração
mais fácil.
• Após 3 meses, a circulação do sangue aumentará.
• Em um ano, haverá a redução da tosse, da congestão nasal, do cansaço e
da falta de ar.
• Após 5 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca
fumou.
Mas, se conhecer os benefícios de largar o cigarro não é motivação
suficiente, veja alguns dos prejuízos do cigarro para a saúde:
• O cigarro causa impotência sexual.
• Um maço de cigarros por dia por mais de 10 anos rouba, em média, 5
anos de vida do fumante.
• Fumantes têm uma probabilidade 24 vezes maior de desenvolver câncer de
pulmão.
• Uma pessoa que fuma tem o dobro de chance de vir a ter doenças
cardiovasculares do que uma pessoa que não fuma.
• Grávidas que fumam apresentam risco muito maior de partos prematuros,
e também de terem bebês com pouco peso ou com graves problemas
pulmonares.
• O cigarro causa mau hálito e amarelamento dos dentes.
• O cigarro apressa o envelhecimento da pele.
• Cada vez mais, o fumo tem sido associado à baixa produtividade, o que
prejudica os fumantes no mercado de trabalho.
• Por ser um hábito cada vez mais rejeitado, o fumante pode enfrentar
situações estressantes em locais como aviões, ônibus, cinemas e bares.
Vida Saudável Problemas enfrentados
pelos fumantes passivos
Laura Cánepa
O chamado "fumante passivo" é aquele indivíduo que não fuma, mas acaba
respirando a fumaça dos cigarros fumados ao seu redor. Até hoje,
discute-se muito os efeitos do fumo passivo, mas uma coisa é certa: quem
não fuma não é obrigado a respirar a fumaça dos outros.
A fumaça respirada pelo fumante passivo é uma combinação de mais de 400
substâncias químicas, na forma de partículas e gases como o cianeto de
hidrogênio, o dióxido de enxofre, o monóxido de carbono, a amônia e a
nicotina. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos,
essa fumaça pode ser classificada como carcinógeno humano de "classe A",
isto é, um tipo de substância para a qual não há nível inócuo de
exposição.
O fumo passivo é um problema de saúde pública em todos os países do
mundo. Na Europa, estima-se que 79% das pessoas estão expostas à fumaça
"de segunda mão", enquanto, nos Estados Unidos, 88% dos não-fumantes
acabam fumando passivamente. A Sociedade do Câncer da Nova Zelândia
informa que o fumo passivo é a terceira entre as principais causas de
morte no país, depois do fumo ativo e do uso de álcool.
Além de estarem expostos a substâncias perigosas, os fumantes passivos
podem apresentar alergias, ataques de asma e bronquite, irritação nos
olhos e nas vidas respiratórias. Por isso, é fundamental que se cumpra a
lei que proíbe o fumo em locais públicos, e que exige a demarcação de
áreas de fumantes em lugares de grande circulação de pessoas.
"Só aqueles que têm
paciência para fazer coisas simples com perfeição é que irão adquirir
habilidade para fazer coisas difíceis com facilidade."